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domingo, 2 de novembro de 2025
O estranho é o nome secreto do verdadeiro
Uma das coisas boas que o tempo me deu foi a permissão de ser estranha. Durante muito tempo achei que havia algo de errado em não caber — nas conversas, nas modas, nas certezas. Tentava disfarçar minhas margens, fingir simplicidade onde havia abismos, inventar leveza onde o mundo pesava.
Mas a vida, com sua paciência implacável, foi me ensinando que ser estranho não é desvio, é natureza. Que a palavra “estranho” carrega apenas o medo dos outros diante da diferença. E que a normalidade, essa máscara tão bem polida, é talvez o mais profundo dos fingimentos humanos.
O que chamam de normal costuma ser apenas a tentativa desesperada de ser aceito. Mas a aceitação dos outros é um abrigo frágil — basta um vento mais forte para ruir. A aceitação de si, essa sim, é morada. E é nela que a estranheza deixa de ser exílio e vira casa.
Hoje, entendo que o estranho é apenas aquele que se recusa a amputar o que sente. O que não se acomoda em moldes. O que, mesmo tremendo, escolhe permanecer inteiro.
Ser estranho é um ato de coragem — e, talvez, a forma mais discreta de liberdade.
Ancestralidade, poder, renascimento, avós, tias, filhas, mães, abuelitas, comadres. A Ciranda das Mulheres Sábias fala dessa força mágica que as mulheres carregam, especialmente as mais velhas, que têm as intuições certeiras, os melhores conselhos, os remédios exatos para qualquer problema físico ou emocional. Essas mulheres sábias, que são como árvores. Que renascem, que encantam, que contagiam. Que, apesar de todas as dores, restrições, julgamentos, estão de pé para acolher outras mulheres - com seus melhores sorrisos e palavras mais gentis. De onde vem tanta força? De todas as minhas ancestrais que estão vivas aqui, dentro de mim.
Uma Ciranda docemente metafórica, que nos oferece um acolhimento arquétipo, com o potencial de nos trazer a sensação de ser filho,filha, neta, neto. Uma vontade imensa de pertencimento. Esse é o convite para uma conversa direta sobre a maturidade feminina e uma profunda homenagem às mulheres sábias que passam sua sabedoria para as próximas gerações e ao dar essas orientações as jovens percebem que não precisam de um príncipe encantado para as salvarem, elas mesmas podem se salvar.
As lembranças nem sempre têm a ver com fatos; os fatos podem ser contestados; as lembranças, jamais porque são as histórias... Há histórias que surgem de lugares misteriosos, longínquos, desconhecidos; há outras que são descobertas em meio a destroços ou enterradas sob vários anos; há as que são criadas e outras que são vividas... Assim, são as histórias... enterre as páginas escritas ou as permita tomarem vida pelas mãos do escritor e os olhos de um leitor... E, de repente... As palavras tomam vida no papel e a história escreve-se a si mesma... O autor é apenas um escriba que transcreve com habilidade as emoções e acontecimentos... Não é possível relembrar fatos com exatidão... Quase dezessete anos se passaram; a posição das nuvens no céu, o ritmo do vento batendo na pele, a sonoridade da respiração, a conjunção dos astros... O que é possível dizer é aquilo que as lembranças permitirem. O destino que mais importa na vida de qualquer pessoa é o relativo ao amor. Uma história de amor tem um valor e significados maiores: o poder de lembrar que há momentos em que o destino é o amor se chocam... A maioria das pessoas traz consigo a eterna pergunta: “ e se eu tivesse feito o que meu coração mandou? “... Não há como saber a resposta, uma vez que uma vida não passa de uma série de pequenas vidas, vividas um dia por vez. Cada um desses dias, sem percebermos ou sem querermos, envolve escolhas e consequências... Parte por parte, pedacinho por pedacinho, essas escolhas ou decisões ajudam a formar e a transformar a pessoa que nos tornamos. A história se escreve por si, mas quem pode dizer que a junção dos fragmentos das lembranças apresentadas, montou o quadro como retrato verdadeiro e fiel de como esse casal realmente se encontrou... Talvez a fé na estranha força do amor possa renovar a história e se encarregue de terminar de escrevê-la... entre o Sol e a Lua...
Acordo,
certo dia, e o primeiro livro que me ressalta aos olhos, abandonado na estante
por anos, Os Maias... De repente, me vejo envolvida, novamente, após muitos anos,
por Eça de Queiroz, com seus fascinantes personagens e sua trágica história de
amor que envolve três gerações. Escuto música ao vento e me reporto a Lisboa do
século XIX...Encontro-me com Afonso da Maia, Pedro da Maia e Maria Monforte,
Carlos Eduardo e Maria Eduarda, além do estimado João da Ega, assim, sem querer, me envolvo em mistérios, luxúria,
alegrias, dissabores e lágrimas...
Os Maias é uma das
obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz. O livro foi publicado no Porto em 1888. A obra ocupa-se
da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações. Tudo começa com a
descrição da casa – “O ramalhete”- Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de
campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis,
colocado onde deveria estar a pedra de armas.
Afonso da Maia, senhor da casa, casou-se com Maria Eduarda
Runa e deste casamento resultou apenas um filho - Pedro da Maia, que teve uma
educação tipicamente romântica, era muito ligado à mãe e após a sua morte ficou
inconsolável, tendo se recuperado quando conheceu uma mulher chamada Maria
Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento,
resultaram dois filhos: Carlos Eduardo e Maria Eduarda. Algum tempo depois,
Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (um príncipe napolitano, italiano que
Pedro fere acidentalmente num acidente de caça e acolhe em sua casa) e foge com
ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda. Quando sabe disto,
Pedro, destroçado, vai com Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio.
Carlos fica na casa do avô, onde é educado à moda inglesa (tal como Afonso
gostaria que Pedro tivesse sido criado).
Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico - abre um
consultório. Mais tarde, conhece uma mulher no Hotel Central num jantar
organizado por Ega (seu amigo dos tempos de Coimbra) em homenagem a Cohen. Essa
mulher, vem mais tarde saber, chamar-se Maria Eduarda. Os dois apaixonam-se.
Carlos crê que a sua irmã morreu. Maria Eduarda crê que apenas teve uma
irmãzinha que morreu em Londres. Os dois namoram em segredo. Carlos acaba
depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado – podiam ter-se
zangado definitivamente. Guimarães vai falar com João da Ega, e dá-lhe uma caixa
que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda. Ega descobre tudo,
conta a Vilaça (procurador da família Maia) e este acaba por contar a Carlos o
incesto que anda a cometer. Afonso da Maia morre de desgosto. Carlos e Maria
separam-se. Carlos vai dar uma volta ao mundo. O romance termina quando Carlos,
passados 10 anos, regressa a Lisboa de visita. O final é ambíguo, como o foi a
ação de Carlos e João da Ega ao longo da narrativa: embora ambos afirmem que
"não vale a pena correr para nada" e que tudo na vida é ilusão e
sofrimento, acabam por correr desesperadamente para apanhar um transporte
público que os leve a um jantar para o qual estão atrasados.
O autor:José Maria de Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim, 25 de novembro
de 1845 — Paris, 16 de agosto de 1900) foi um dos mais importantes escritores
portugueses da história. Foi autor de romances de reconhecida importância, de
Os Maias e O Crime do Padre Amaro; o primeiro é considerado por muitos o melhor
romance realista português do século XIX.
“Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a
tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.”
Começa assim a obra de Valter Hugo Mãe,com várias
histórias paralelas, inicialmente independentes, mas que aos poucos se
entrelaçam. Um pescador de quarenta anos, Crisóstomo, que carrega no
peito da dor de não ser pai. Desesperado e decidido a encontrar um filho para
lhe acompanhar ao longo da sua trajetória, ele adota Camilo, um rapaz de
14 anos, filho de uma anã e de prováveis 15 homens.
A sensação de vazio diminui e ele passa a viver melhor, porém, um tempo
depois ele sente vontade de conhecer um novo sentimento: o amor. É nesse
momento que novos personagens começam a aparecer na trama, entre
eles, Isaura, uma mulher que cedeu aos prazeres da carne muito nova e
passou a vida suportando o peso da sua escolha.
Antonio, conhecido em toda aldeia como "homem maricas"
e Matilde, a mulher que carrega a culpa pelos erros cometidos com o filho
que ela tem medo de aceitar, para estar de acordo com os preceitos sociais.
Apesar de terem vivências diferentes e vidas completamente opostas,
todos estão unidos pela mesma sensação: a incompletude. Essa sensação, que
causa angústia, dor e solidão, acaba sendo a responsável por uma aproximação
entre eles, o que revela novas possibilidades, novas chances de viver e de
encontrar, mesmo que discretamente, a “felicidade”.
“O Crisóstomo explicava que o amor era uma atitude. Uma predisposição
natural para se ser a favor de outrem. É isso o amor. Uma predisposição natural
para se favorecer alguém. Ser, sem sequer se pensar, por outra pessoa."
Com uma narrativa poética, reflexiva e emocionante,
esse é um livro sobre os seres humanos, as suas imperfeições, medos, dores e
anseios. Um livro que discorre com muita sinceridade sobre a capacidade de
amar, de perdoar, de sonhar, de ser e de renascer.
O interessante é que o autor nos coloca diante de
personagens incompletos, que mesmo marcados por dores incuráveis, não conseguem
deixar de lado os preconceitos sociais. Com posicionamentos e presos a
valores morais retrógrados, todos eles precisam (re)descobrir uma nova
forma de “crescer”.
"A solidão podia transformar os homens em seres quase de fantasia
por lhes mexer na cabeça e obrigar o coração a legitimar como verdadeira a mais
pura ilusão."
Mergulhar nessa história demanda coragem e sensibilidade, ousadia e
paixão...Demanda descobrir que somos filhos de mil homens e mil mulheres...
"Este livro é como um livro qualquer. Mas eu
ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas
que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e
penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar.
Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira
de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G. H. foi dando pouco a pouco uma
alegria difícil; mas chama-se alegria. "
C.L. *
Assim, inicia-se: A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector (1920 - 1977), que traz em seu enredo uma mulher, identificada, com todos os seres, apenas pelas iniciais G.H., que após demitir a empregada, entra em seu quarto para limpá-lo, matando uma barata esmagada na porta do guarda-roupa. Relata, assim, a perda de sua individualidade.
No dia seguinte, narra a própria impotência em descrever o episódio.
A história se organiza em capítulos de sequência sistemática – todos os capítulos começam com a frase que encerra o anterior. A interrupção, assim, é elemento de continuidade, numa representação simbólica do que é a experiência de G.H.
O ápice da revelação acontece na cena mais famosa do romance. A barata, após perder sua casca, expele a secreção branca que aparece como sua última essência. Estaria aí a renúncia que a personagem faz a seu próprio ser como linguagem, que, logo após o ato, entrega-se ao silêncio.
Se alguém me pedir para
explicar o significado de Literatura, ficarei propensa em dizer que a entendo
como a arte de compor a vida em prosa ou verso.
Em termos conceituais, a
palavra Literatura vem dolatim"litteris" que significa
"Letras", e possivelmente uma tradução dogrego"grammatikee". Em latim, literatura significa
uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e
se relaciona com as artes dagramática, da retóricae dapoética. Refere-se à
arte ou ofício de escrever de forma artística. O uso
estético da linguagem escrita.
Eis que me deparo com uma
explicação poética sobre Literatura, num jovem promissor poeta e escritor de São Paulo,
EdivaldoFerreira dos Santos, em seu, como ele gosta
de chamar, “livreco” Ragtimes, beijos na nuca & buracos no peito...
Um dia desses, encontrei numa página de rede social uma indicação literária de uma amiga muito querida, que ao pensar em minha "alma lusitana" resolveu marcar meu nome e assim, surgiu meu desejo por Walter Hugo Mãe e sua A máquina de fazer espanhóis. Confesso que pensei, como um escritor português escreve sobre "fazer espanhóis"? Eis que vou ao meu passeio mensal na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo e encontro a obra. Apaixonei-me pelo Senhor Silva. Começamos nossa história assim, no primeiro capítulo...
somos bons homens. não digo que
sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para
as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos
uma ingênua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores. um
povo assim, está a perceber. pousou a caneta. queria tornar inequívoca aquela
ideia e precisava de se assegurar da minha atenção. não tenho muita vontade de
falar, sabe, senhor, estou um pouco nervoso, respondi. não se preocupe,
continuou, a conversa e mais para o distrair e, se ficar distraído sem reacção,
também não lho levo a mal. e o que fez a liberdade, acrescentou. um dia estamos
desconfiados de tudo, e no outro somos os mais pacíficos pais de família, tão
felizes e iludidos. e podemos pensar qualquer atrocidade saindo à rua como se
nada fosse, porque nada é. as ideias, meu amigo, são menores nos nossos dias.
não importam. as liberdades também fazem isso, uma não importância do que se
pensa, porque parece que já nem é preciso pensar. sabe, é como não termos sequer
de pensar na liberdade. é um dado adquirido, como existir oxigénio e usarmos os
pulmões. não nos hão de convencer que volte a censura, qualquer tipo de
censura, isso seria uma desumanidade e agora somos europeus.
A Máquina de Fazer Espanhóis, do
escritor português Valter Hugo Mãe, para mim, foi um mergulho no universo de um português, que aos
80 anos, após viver 46 anos ao lado de sua amada que se despede da vida, tenta reencontrar o sentido da vida em um
lar, o Feliz Idade. No primeiro momento, fecha-se em sua casmurrice e se cala, a fim de mostrar ao mundo a sua dor.
A vida, porém, continua, e por meio
dos pequenos gestos de seu cuidador e da atenção dispensada pelos
outros moradores do lar, aos poucos, nosso protagonista percebe que todos carregam suas dores, mas que a vida não
para e nos surpreende a todo instante. Proporcionando um eterno aprendizado. Assim, começa a
estabelecer laços de amizades com o Senhor Pereira, o Silva da Europa e o
Esteves Sem Metafísica, do poema Tabacaria de Fernando Pessoa.
Descobrir um autor como Valter Hugo Mãe é deparar-se com escritos singulares. O
texto, todo escrito em letra minúscula, acompanha a narração do personagem
principal, em primeira pessoa. Curiosamente, dois capítulos do livro, o quinto
e o décimo sétimo, são grafados em caixa normal, aparecendo letras maiúsculas
no início de parágrafos.
Mais do que relatar a história de um senhor português, Valter Hugo Mãe
capta a identidade de um povo, seus costumes, sua história e o amor pelo seu
país. Não se trata de um Senhor português, mas de muitos e tantos outros
portugueses, que em comum compartilham uma alma lírica, às vezes alegre, na
maioria das vezes melancólica. Não é um povo constituído meramente por pessoas
nascidas em um mesmo país, mas por pessoas como que sagradas em versos formando
uma grande poesia.
Tudo o que me sobra é a esperança nas exceções, Edivaldo Ferreira.
Conheci o autor e poeta Edivaldo Ferreira num lugar inusitado, em seu trabalho, que é uma arte, a arte de sommelier de cerveja. Indicações perfeitas de acordo com a perspicácia e sabedoria que lhe são devidas. As indicações não param por aí... Admirador de jazz e rock, teatro, cinema, literatura, descobri que também é um escritor, tradutor e lançou um livro de poesias que me deixou surpresa pelo potencial do conteúdo à métrica, estrutura poética.
As surpresas não param por aí...Um belo dia, ensolarado, eis que vejo um post com textos dele, Edi, para os amigos...Me emocionei, lágrimas que me encheram os olhos...
Compartilho o projeto do blog https://caosdescrito.wordpress.com/2015/09/02/pb/
Desenhar flores coloridas nas paredes da cidade cinza era um ato de rebeldia que ela praticava regularmente nas tardes em que cabulávamos aulas de Literatura, eu perguntava se não seria mais revolucionário plantar flores de verdade pela cidade e ela sorria e dizia que não dava tempo de esperar, que tinha pressa, com as tintas spray era fácil deixar o mundo mais bonito, mais colorido. “Que diferença faz um mundo bonito desenhado com linhas tortas numa parede descascada?”, eu me perguntava. A gente cresceu e envelheceu e eu me esqueci do seu rosto e agora minha filha teima em correr naquela rua de paralelepípedos contando as flores desenhadas na parede, que apesar do tempo, continuam ali. Eu também continuo por aqui, morando na mesma rua. Casei com uma mulher que não amo e tenho um trabalho que não gosto. Eu me deixei levar pelas regras desse jogo que a gente é obrigado a jogar no instante em que nasce e aqui estou eu, um funcionário medíocre com uma vida medíocre que todas as noites se esforça, sem sucesso, para lembrar orações que aprendeu quando criança. Outro dia numa livraria vi o nome dela, da garota que pixava flores coloridas, na capa de um livro de fotografias. Mas estavam todas em preto & branco. Vi escrito lá que ela viajou pelo mundo visitando florestas e tribos que têm pouco ou nenhum contato com o homem civilizado, sorte a deles. No fim do dia quando me debruço sobre textos inacabados que acabam no fundo da gaveta, cartas que eu nunca vou enviar ao lado de contas vencidas, enquanto escuto minha filha brincando na sala e penso sobre o tipo de ser humano que ela vai se tornar, tudo o que me sobra é a esperança nas exceções, uma planta nascendo no asfalto de uma cidade morta.
Benjamín Espósito é um ex-servidor da justiça penal argentina. Recém-aposentado, procura aproveitar o tempo livre para escrever um livro. Inspira-se em um caso real, ocorrido há 25 anos e que sempre lhe comoveu: o brutal estupro seguido de assassinato de uma bela jovem, Liliana Colotto.
Na época, Espósito aceitou cuidar do caso a contragosto, uma vez que ele seria da alçada de outra seção. Ao deparar-se com o estado do cadáver, todavia, passou a nutrir certa obsessão para esclarecê-lo. É com fúria que reage ao notar que os homens presos pelo crime são humildes e inocentes operários que foram torturados para confessar. Vendo isso, esmurra, em pleno saguão do Judiciário, o servidor que apontara os supostos criminosos, Romano - o mesmo que tentara livrar-se do caso ao empurrá-lo para Espósito.
Determinado a encontrar o verdadeiro criminoso, Espósito visita o viúvo de Liliana, o jovem bancário Ricardo Morales. Ao examinar fotografias antigas do casal, nota em diferentes fotos um mesmo homem com olhar vidrado em Liliana. Identificado nas legendas como Isidoro Gómez, passa a ser tido por Espósito como culpado em potencial, uma vez que Liliana provavelmente conhecia seu agressor, já que não havia sinais de arrombamento em sua casa. Morales dá mais força às suspeitas ao descobrir que Gómez e Liliana foram namorados na infância de ambos, na pequena cidade de Chivilcoy. Espósito e e seu assistente Pablo Sandoval iniciam então uma busca por Gómez, mas não conseguem localizá-lo. Para piorar, ao irem à Chivilcoy para vistoriarem a casa da mãe dele, têm sua conduta ilegal denunciada para o juiz da seção em que trabalham. Ainda assim, conseguem manter sigilosamente entre eles a correspondência que Gómez enviava à mãe, mas não conseguem decifrar possíveis paradeiros do homem nem os diferentes e misteriosos nomes que ele menciona nas cartas.
No entanto, o escândalo em que haviam se metido, e a falta de provas concretas contra Gómez fazem com que o caso seja arquivado. Espósito não desiste, encantado com os sentimentos de Morales pela falecida esposa, ao deparar-se casualmente com ele em uma estação de trem.
“É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.”
É com essas palavras que Jane Austen inicia Orgulho e preconceito, conduzindo o leitor diretamente ao lar dos Bennet, família com não menos que cinco noivas em potencial: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. Quando o sr. Bingley e o sr. Darcy, dois jovens distintos, chegam a Hertfordshire, todas ficam em alerta: eles são solteiros, bonitos e, claro, donos de uma boa fortuna.
O que poderia ser uma típica história de amor é, nas mãos de uma das escritoras de língua inglesa mais difundidas pelo mundo, um espetáculo de grandes personagens e diálogos sagazes, com um timing perfeito para a ironia.
Jane Austen desafiou as convenções sociais ao criticá-las pelas entrelinhas, pontuando seus livros com toques de humor que só uma observadora perspicaz e uma brilhante escritora poderia unir.
Suas histórias, passadas na Inglaterra da virada do século XVIII para o XIX, falam para os leitores de todas as épocas.
Theatro Municipal de São Paulo Praça Ramos de Azevedo s/n GIACOMO PUCCINI TOSCA Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo Coro Lírico Municipal de São Paulo Oleg Caetani– Regência Marco Gandini– Direção CênicaSimona Morresi – Figurinos Floria ToscaAinhoa Arteta (dias 29, 2, 6, 9, 11, 13) Ausrine Stundyte (dias 30, 4, 7)Mario CavaradossiMarcelo Alvarez (dias 29, 02, 06, 09 e 13)Stuart Neill (dias 30, 04, 07 e 11)ScarpiaRoberto Frontali(dias 29, 02, 06, 09 e 13)Nelson Martinez (dias 30, 04, 07 e 11)Cesare AngelottiMassimiliano CatellaniSacristãoSaulo JavanSpolettaLuca Casalin A “Tosca”, de Giacomo Puccini, estreia dia 29, no Municipal. O diretor, o cenógrafo e o figurinista são respectivamente, os italianos Marco Gandini, Italo Grassi e Simona Morresi. “Aqui, teremos um esquema cenográfico complexo, que se movimenta diante do público, com troca de perspectiva dos três principais ambientes exigidos pelo libreto: a igreja, a sala de Scarpia e a prisão, onde Cavaradossi é torturado. Embora nossa montagem possa ser classificada como ‘clássica’, optamos em deslocar a trama, que é de 1800, para uma época mais próxima à nossa.”
Para o diretor, o enredo envolve aspectos políticos, de amor e traição, mas é, sobretudo, uma história de paixão. “‘Tosca’ focaliza três grandes apaixonados, não apenas pelo amor em si, mas também pelo poder, pela liberdade e pela vida. A música de Puccini, também passional, valoriza esse contexto.”
A regência é do também italiano Oleg Caetani e os três principais personagens são interpretados por solistas internacionais: no da cantora lírica Floria Tosca, se revezam Ainhoa Arteta (Espanha) e Ausrine Stundyte (Lituânia); no do chefe de polícia Scarpia, Roberto Frontali (Itália) e Nelson Martinez (Cuba), e, no do pintor Mario Cavaradossi, Marcelo Alvarez (Argentina) e Stuart Neill (EUA), o qual, ainda no mês passado, desempenhou este mesmo papel no Ópera Nacional de Paris. O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,marcelo-alvarez-fala-da-opera-tosca-que-canta-no-teatro-municipal,1598516
Imagine como é surpreendente entrar na livraria e encontrar o Chico Buarque na prateleira com seu Irmão Alemão...
O compositor, poeta e romancista brasileiro Chico Buarque acaba de lançar seu novo livro, O irmão alemão. Ele se inspira no meio-irmão, fruto do relacionamento de seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, com uma alemã, durante sua passagem pelo país entre 1929 e 1930, como correspondente de O Jornal.
O irmão alemão nasceu em 1930. Seis anos depois, o também historiador Sérgio Buarque se casou no Brasil e teve outros filhos. A existência do meio-irmão era conhecida pela família brasileira. No entanto a última notícia que havia dele datava da Segunda Guerra Mundial, gerando a suposição que pudesse ter morrido nesse período.
A história mudou em maio de 2013, quando, a pedido da editora Companhia das Letras e do próprio Chico Buarque, o historiador brasileiro João Klug e o museólogo alemão Dieter Lange identificaram o irmão desconhecido. E ele se revelou uma celebridade da comunista República Democrática Alemã (RDA), com a mesma profissão do pai e o talento do meio-irmão brasileiro.
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa. Fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá encontrei só ervas e árvores, E quando havia gente era igual à outra. Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim. Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? Não, nem em mim... Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando? Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, E quem sabe se realizáveis, Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, Ainda que não more nela; Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades; Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, E ouviu a voz de Deus num poço tapado. Crer em mim? Não, nem em nada. Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo, E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. Escravos cardíacos das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei A caligrafia rápida destes versos, Pórtico partido para o Impossível. Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, Nobre ao menos no gesto largo com que atiro A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas, E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas, Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê - Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada. Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, Vejo os cães que também existem, E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra, Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Ler para aprender, ler para novas experiências, ler para aumentar seu raciocínio, ler para se divertir, ler para viajar, ler para expandir sua memória, ler para estimular sua mente, ler para reciclar conhecimentos, ler para saber, ler para estudar, ler para ser único, ler para ...
Livros on line para download
1. Universia – Reúne mais de 1.000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.
2. Open Library– Projeto que pretende catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em cerca idiomas.
3. Brasiliana– O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3000 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.
3. Blog Midia8– Página reúne mais de 200 links de livros sobre comunicação em português, inglês e espanhol para ler online e fazer download.
4. Casa de José de Alencar – A Biblioteca Virtual do site do pai do romance brasileiro disponibiliza para download gratuito 14 de suas obras, incluindo romances e peças de teatro.
5. Read Print– Essa espécie de livraria virtual oferece mais de 8 mil títulos em inglês para estudantes, professores e entusiastas de clássicos.
6. Biblioteca Digital de Obras Raras – O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.
8. Saraiva – A rede de livrarias disponibilizou recentemente 148 livros para download em PDF gratuito. O leitor precisa apenas fazer um cadastro e baixar o aplicativo de leitura para ter acesso às obras.
9. Biblioteca Nacional de Portugal– Entre os destaques do portal está um site dedicado ao escritor José Saramago. Nele estão disponíveis manuscritos do autor.
10. Machado de Assis– Criado pelo MEC, o site disponibiliza a obra completa do escritor – em pdf ou html - para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.
11. Biblioteca Mundial Digital– Oferece milhares de documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.
12. Dear Reader– Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.
13. eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.
14. Projeto Gutenberg– Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.
15.Unesp Aberta - Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista "Júlio Mesquita", o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está abertos para consulta em diversos formatos.