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domingo, 2 de novembro de 2025
O estranho é o nome secreto do verdadeiro
Uma das coisas boas que o tempo me deu foi a permissão de ser estranha. Durante muito tempo achei que havia algo de errado em não caber — nas conversas, nas modas, nas certezas. Tentava disfarçar minhas margens, fingir simplicidade onde havia abismos, inventar leveza onde o mundo pesava.
Mas a vida, com sua paciência implacável, foi me ensinando que ser estranho não é desvio, é natureza. Que a palavra “estranho” carrega apenas o medo dos outros diante da diferença. E que a normalidade, essa máscara tão bem polida, é talvez o mais profundo dos fingimentos humanos.
O que chamam de normal costuma ser apenas a tentativa desesperada de ser aceito. Mas a aceitação dos outros é um abrigo frágil — basta um vento mais forte para ruir. A aceitação de si, essa sim, é morada. E é nela que a estranheza deixa de ser exílio e vira casa.
Hoje, entendo que o estranho é apenas aquele que se recusa a amputar o que sente. O que não se acomoda em moldes. O que, mesmo tremendo, escolhe permanecer inteiro.
Ser estranho é um ato de coragem — e, talvez, a forma mais discreta de liberdade.
Ancestralidade, poder, renascimento, avós, tias, filhas, mães, abuelitas, comadres. A Ciranda das Mulheres Sábias fala dessa força mágica que as mulheres carregam, especialmente as mais velhas, que têm as intuições certeiras, os melhores conselhos, os remédios exatos para qualquer problema físico ou emocional. Essas mulheres sábias, que são como árvores. Que renascem, que encantam, que contagiam. Que, apesar de todas as dores, restrições, julgamentos, estão de pé para acolher outras mulheres - com seus melhores sorrisos e palavras mais gentis. De onde vem tanta força? De todas as minhas ancestrais que estão vivas aqui, dentro de mim.
Uma Ciranda docemente metafórica, que nos oferece um acolhimento arquétipo, com o potencial de nos trazer a sensação de ser filho,filha, neta, neto. Uma vontade imensa de pertencimento. Esse é o convite para uma conversa direta sobre a maturidade feminina e uma profunda homenagem às mulheres sábias que passam sua sabedoria para as próximas gerações e ao dar essas orientações as jovens percebem que não precisam de um príncipe encantado para as salvarem, elas mesmas podem se salvar.
As lembranças nem sempre têm a ver com fatos; os fatos podem ser contestados; as lembranças, jamais porque são as histórias... Há histórias que surgem de lugares misteriosos, longínquos, desconhecidos; há outras que são descobertas em meio a destroços ou enterradas sob vários anos; há as que são criadas e outras que são vividas... Assim, são as histórias... enterre as páginas escritas ou as permita tomarem vida pelas mãos do escritor e os olhos de um leitor... E, de repente... As palavras tomam vida no papel e a história escreve-se a si mesma... O autor é apenas um escriba que transcreve com habilidade as emoções e acontecimentos... Não é possível relembrar fatos com exatidão... Quase dezessete anos se passaram; a posição das nuvens no céu, o ritmo do vento batendo na pele, a sonoridade da respiração, a conjunção dos astros... O que é possível dizer é aquilo que as lembranças permitirem. O destino que mais importa na vida de qualquer pessoa é o relativo ao amor. Uma história de amor tem um valor e significados maiores: o poder de lembrar que há momentos em que o destino é o amor se chocam... A maioria das pessoas traz consigo a eterna pergunta: “ e se eu tivesse feito o que meu coração mandou? “... Não há como saber a resposta, uma vez que uma vida não passa de uma série de pequenas vidas, vividas um dia por vez. Cada um desses dias, sem percebermos ou sem querermos, envolve escolhas e consequências... Parte por parte, pedacinho por pedacinho, essas escolhas ou decisões ajudam a formar e a transformar a pessoa que nos tornamos. A história se escreve por si, mas quem pode dizer que a junção dos fragmentos das lembranças apresentadas, montou o quadro como retrato verdadeiro e fiel de como esse casal realmente se encontrou... Talvez a fé na estranha força do amor possa renovar a história e se encarregue de terminar de escrevê-la... entre o Sol e a Lua...
Acordo,
certo dia, e o primeiro livro que me ressalta aos olhos, abandonado na estante
por anos, Os Maias... De repente, me vejo envolvida, novamente, após muitos anos,
por Eça de Queiroz, com seus fascinantes personagens e sua trágica história de
amor que envolve três gerações. Escuto música ao vento e me reporto a Lisboa do
século XIX...Encontro-me com Afonso da Maia, Pedro da Maia e Maria Monforte,
Carlos Eduardo e Maria Eduarda, além do estimado João da Ega, assim, sem querer, me envolvo em mistérios, luxúria,
alegrias, dissabores e lágrimas...
Os Maias é uma das
obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queiroz. O livro foi publicado no Porto em 1888. A obra ocupa-se
da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações. Tudo começa com a
descrição da casa – “O ramalhete”- Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de
campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis,
colocado onde deveria estar a pedra de armas.
Afonso da Maia, senhor da casa, casou-se com Maria Eduarda
Runa e deste casamento resultou apenas um filho - Pedro da Maia, que teve uma
educação tipicamente romântica, era muito ligado à mãe e após a sua morte ficou
inconsolável, tendo se recuperado quando conheceu uma mulher chamada Maria
Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento,
resultaram dois filhos: Carlos Eduardo e Maria Eduarda. Algum tempo depois,
Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (um príncipe napolitano, italiano que
Pedro fere acidentalmente num acidente de caça e acolhe em sua casa) e foge com
ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda. Quando sabe disto,
Pedro, destroçado, vai com Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio.
Carlos fica na casa do avô, onde é educado à moda inglesa (tal como Afonso
gostaria que Pedro tivesse sido criado).
Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico - abre um
consultório. Mais tarde, conhece uma mulher no Hotel Central num jantar
organizado por Ega (seu amigo dos tempos de Coimbra) em homenagem a Cohen. Essa
mulher, vem mais tarde saber, chamar-se Maria Eduarda. Os dois apaixonam-se.
Carlos crê que a sua irmã morreu. Maria Eduarda crê que apenas teve uma
irmãzinha que morreu em Londres. Os dois namoram em segredo. Carlos acaba
depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado – podiam ter-se
zangado definitivamente. Guimarães vai falar com João da Ega, e dá-lhe uma caixa
que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda. Ega descobre tudo,
conta a Vilaça (procurador da família Maia) e este acaba por contar a Carlos o
incesto que anda a cometer. Afonso da Maia morre de desgosto. Carlos e Maria
separam-se. Carlos vai dar uma volta ao mundo. O romance termina quando Carlos,
passados 10 anos, regressa a Lisboa de visita. O final é ambíguo, como o foi a
ação de Carlos e João da Ega ao longo da narrativa: embora ambos afirmem que
"não vale a pena correr para nada" e que tudo na vida é ilusão e
sofrimento, acabam por correr desesperadamente para apanhar um transporte
público que os leve a um jantar para o qual estão atrasados.
O autor:José Maria de Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim, 25 de novembro
de 1845 — Paris, 16 de agosto de 1900) foi um dos mais importantes escritores
portugueses da história. Foi autor de romances de reconhecida importância, de
Os Maias e O Crime do Padre Amaro; o primeiro é considerado por muitos o melhor
romance realista português do século XIX.
“Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a
tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.”
Começa assim a obra de Valter Hugo Mãe,com várias
histórias paralelas, inicialmente independentes, mas que aos poucos se
entrelaçam. Um pescador de quarenta anos, Crisóstomo, que carrega no
peito da dor de não ser pai. Desesperado e decidido a encontrar um filho para
lhe acompanhar ao longo da sua trajetória, ele adota Camilo, um rapaz de
14 anos, filho de uma anã e de prováveis 15 homens.
A sensação de vazio diminui e ele passa a viver melhor, porém, um tempo
depois ele sente vontade de conhecer um novo sentimento: o amor. É nesse
momento que novos personagens começam a aparecer na trama, entre
eles, Isaura, uma mulher que cedeu aos prazeres da carne muito nova e
passou a vida suportando o peso da sua escolha.
Antonio, conhecido em toda aldeia como "homem maricas"
e Matilde, a mulher que carrega a culpa pelos erros cometidos com o filho
que ela tem medo de aceitar, para estar de acordo com os preceitos sociais.
Apesar de terem vivências diferentes e vidas completamente opostas,
todos estão unidos pela mesma sensação: a incompletude. Essa sensação, que
causa angústia, dor e solidão, acaba sendo a responsável por uma aproximação
entre eles, o que revela novas possibilidades, novas chances de viver e de
encontrar, mesmo que discretamente, a “felicidade”.
“O Crisóstomo explicava que o amor era uma atitude. Uma predisposição
natural para se ser a favor de outrem. É isso o amor. Uma predisposição natural
para se favorecer alguém. Ser, sem sequer se pensar, por outra pessoa."
Com uma narrativa poética, reflexiva e emocionante,
esse é um livro sobre os seres humanos, as suas imperfeições, medos, dores e
anseios. Um livro que discorre com muita sinceridade sobre a capacidade de
amar, de perdoar, de sonhar, de ser e de renascer.
O interessante é que o autor nos coloca diante de
personagens incompletos, que mesmo marcados por dores incuráveis, não conseguem
deixar de lado os preconceitos sociais. Com posicionamentos e presos a
valores morais retrógrados, todos eles precisam (re)descobrir uma nova
forma de “crescer”.
"A solidão podia transformar os homens em seres quase de fantasia
por lhes mexer na cabeça e obrigar o coração a legitimar como verdadeira a mais
pura ilusão."
Mergulhar nessa história demanda coragem e sensibilidade, ousadia e
paixão...Demanda descobrir que somos filhos de mil homens e mil mulheres...
"Este livro é como um livro qualquer. Mas eu
ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas
que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e
penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar.
Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira
de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G. H. foi dando pouco a pouco uma
alegria difícil; mas chama-se alegria. "
C.L. *
Assim, inicia-se: A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector (1920 - 1977), que traz em seu enredo uma mulher, identificada, com todos os seres, apenas pelas iniciais G.H., que após demitir a empregada, entra em seu quarto para limpá-lo, matando uma barata esmagada na porta do guarda-roupa. Relata, assim, a perda de sua individualidade.
No dia seguinte, narra a própria impotência em descrever o episódio.
A história se organiza em capítulos de sequência sistemática – todos os capítulos começam com a frase que encerra o anterior. A interrupção, assim, é elemento de continuidade, numa representação simbólica do que é a experiência de G.H.
O ápice da revelação acontece na cena mais famosa do romance. A barata, após perder sua casca, expele a secreção branca que aparece como sua última essência. Estaria aí a renúncia que a personagem faz a seu próprio ser como linguagem, que, logo após o ato, entrega-se ao silêncio.
Se alguém me pedir para
explicar o significado de Literatura, ficarei propensa em dizer que a entendo
como a arte de compor a vida em prosa ou verso.
Em termos conceituais, a
palavra Literatura vem dolatim"litteris" que significa
"Letras", e possivelmente uma tradução dogrego"grammatikee". Em latim, literatura significa
uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e
se relaciona com as artes dagramática, da retóricae dapoética. Refere-se à
arte ou ofício de escrever de forma artística. O uso
estético da linguagem escrita.
Eis que me deparo com uma
explicação poética sobre Literatura, num jovem promissor poeta e escritor de São Paulo,
EdivaldoFerreira dos Santos, em seu, como ele gosta
de chamar, “livreco” Ragtimes, beijos na nuca & buracos no peito...